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Habitar Palavras: Roberta Iaiati

A INCERTEZA

Era um ano de muitos planos, imaginávamos mil coisas, fazer isso, fazer aquilo, mas só se ouvia falar de um vírus, coisa invisível, e o quanto era terrível. Cada dia, semana e mês que ia passando, o medo ia aumentando por ouvir o perigo que trazia.

Imaginávamos ser coisas simples e que não tinham importância, foi aí que chegou de vez, tirando a liberdade, os encontros entre amigos e parentes. A cada dia que passava, a tristeza aumentava, não podíamos sair para visitar nem ser visitado, saída só em caso de necessidade e acabou nossa liberdade. O que é ir e vir? Saímos nas ruas e só vemos o comércio fechado, limitação de entrada... que coisa mais triste! Mudar nosso modo de vida e novas rotinas, tivemos que nos adaptar.

Quanto mais o tempo passa, mais impotente nos sentimos diante de um minúsculo vírus que nem conseguimos ver. A cada novo dia, se encerram sonhos de pessoas, de famílias e como tudo isso ainda causa tanta dor... a perda. Nos sentimos tão frágeis por não poder fazer nada para salvar vidas e sequer nos despedir dos entes queridos.

Mas, por meio das pesquisas científicas, renovamos nossas esperanças de uma nova vida chegar e, assim, termos a liberdade de abraçar, encontrar nossos familiares e amigos, e dizer que apesar do que passamos, nós vencemos.

Quando imaginamos e enxergamos uma luz no fim do túnel, as lágrimas rolam e a esperança se renova, por saber que mesmo com todos os medos e incertezas que passamos, podemos refletir no que fomos e somos e no que podemos ser diante disso tudo. Meditar onde erramos e que há tempo de nos redimir de nossos atos e de nossa postura diante das nossas famílias, amigos e da sociedade como um todo.

 

LIBERDADE

2020 começou
Do nada tudo mudou
Medos e inseguranças,
A liberdade acabou.

Tivemos que nos adaptar e novas regras seguir,
Momento em famílias
Aos poucos perdeu a rotina.

Momento difícil que nos afastou
A saudade da liberdade a cada dia aumentou.

 

TEMPO 

Depois de muitas perdas e de muitos medos
podemos saber o quão valiosa é a vida.
É como que se o tempo parasse para que possamos refletir
Sobre quem somos e quem seremos.

O quanto podemos melhorar
Parar de pensar em si,
E os outros ajudar
E cada dia nos redimir.

 

Sobre o autor

ROBERTA IAIATI INDUBRASIL é indígena da etnia kaingang, residente da aldeia indígena Icatu, no município de Braúna. A estudante de pedagogia, de 23 anos, é filha de Roberto Carlos Indubrasil e Rosimeire Iaiati Indubrasil, ambos da etnia kaingang. Na literatura, tem grande apreço pela literatura infantil e por obras que tratem dos direitos indígenas. Em seus escritos, retrata o cotidiano e os sentimentos da vida de uma jovem mulher indígena.

Habitar Palavras - Biblioteca Sesc Birigui

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