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Pesquisador joga luz sobre contribuições tecnológicas africanas

Professor Henrique Cunha Junior na biblioteca do Sesc São Carlos | Foto: Danny Abensur
Professor Henrique Cunha Junior na biblioteca do Sesc São Carlos | Foto: Danny Abensur

Criado nos anos 50 e 60 no Jardim da Glória, próximo ao bairro paulistano da Aclimação, Henrique Cunha Junior (1952) é neto de militantes do movimento negro, pan-africanistas do início do século XX no Brasil. Em meados dos anos 60, seu pai foi presidente da Associação Cultural do Negro, fundada em 1954, em São Paulo.

Para o hoje professor titular da Universidade Federal do Ceará, foi muito bom ter crescido em um ambiente em que se falava sobre escritores e referências de origem africana.

Da capital paulista, Henrique Cunha partiu para São Carlos, no início dos anos 70, para cursar Engenharia Elétrica (USP) e, depois, Sociologia (Unesp) em Araraquara. Em sua vida acadêmica, com passagens pela França, pela Alemanha e a livre-docência pela USP, o pesquisador aprofundou seu interesse pela tecnologia em geral, pela educação brasileira e pela história dos saberes produzidos no continente africano – muitos deles fundantes da economia praticada aqui no país, desde a Colônia e o Império.

"O Brasil é um acervo imenso de africanidades", afirmou o professor em uma palestra realizada na noite da terça-feira, dia 22 de outubro, no Sesc São Carlos. Em um breve retorno à cidade do interior paulista a convite do Sesc e do Instituto de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos, Cunha mostrou como, ironicamente, as tecnologias desenvolvidas e trazidas por africanos e afrodescentes escravizados permitiram o sucesso da exploração portuguesa dos engenhos de açúcar e da mineração do ouro no Brasil Colônia – da construção de ferramentas, equipamentos e acessórios à própria engenharia dessas atividades.

Embora a escola pública onde estudou quando criança não trouxesse conteúdos semelhantes aos que recebia em casa, de valorização da cultura negra, Herinque Cunha lembra de ter tido aula com bons professores de história, no que hoje seria o Ensino Fundamental II. Uma professora, em particular, foi bastante aberta às informações que ele trazia de casa. Mas, nesse sentido, ter contato com essas narrativas não foi a sorte da maioria dos brasileiros, lamenta. Somente em 2003 viria a lei 10.639, que torna obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira.

Minutos antes da fala do pesquisador ao público do Sesc São Carlos, na última terça-feira, a EOnline conversou com Henrique Cunha Junior no Espaço de Tecnologias e Artes da unidade. Assista abaixo.

 

 

O bate-papo e a oficina com o professor Henrique Cunha Junior, no Sesc São Carlos, foram parte da ação Tecnologias e Artes em Rede: Tecnologias Negras, que conta, em outubro, em todas as unidades do Sesc São Paulo – na capital, no interior e no litoral –, com mais de 150 atividades que celebram o protagonismo da pessoa negra nas artes visuias e nas tecnologias.