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O confronto entre a tradição e o contemporâneo

Foto: João Caldas
Foto: João Caldas
“A única certeza que temos ao nascermos é que iremos morrer,
e é esta certeza que mais nos apavora durante a caminhada.”
Denise Weinberg


Tendo como ponto de partida um ritual fúnebre chamado Coberta da Alma, o espetáculo Imortais mostra o reencontro entre uma matriarca de rígidos princípios e muito apegada às tradições, que está doente e desenganada, com sua filha, que fugiu de casa há anos e retorna com um noivo - uma mulher em processo de transição para homem trans. Com iminência do fim, surgem segredos do passado e inevitáveis confrontos: entre mãe e filha; entre a vida e a morte; o masculino e o feminino; entre a liberdade e a moral repressora. Conflitos que abrem a possibilidade de descobrir qual o ideal de pertencimento de cada um e o que, na experiência humana, pode nos tornar imortais.

Segundo Newton Moreno, “‘Coberta da Alma’ surge como meio – dispositivo performático da raiz - proposto para detonar a reflexão. Até onde a tradição e o contemporâneo podem conviver e se retroalimentar? Qual a negociação ainda possível entre os dois?”. “A necessidade de um resgate de ritual para celebrarmos a vida, os nascimentos, as mortes, as aventuras, as desventuras, os encontros e desencontros apareceu na minha frente, como um grito estrangulado e poderoso, tentando resgatar e celebrar os pequenos ritos de nossa vida cotidiana”, complementa Denise Weinberg.

Após temporada no Teatro Anchieta, o espetáculo ganha apresentação no Sesc Jundiaí, no dia 17 de março. Imortais que conta com trilha sonora - executada ao vivo – de Gregory Slivar, tem o cenário de André Cortez, luz de Wagner Pinto, figurino de Leopoldo Pacheco e Carol Badra e direção de produção de Emerson Mostacco. O elenco tem a presença de Denise Weinberg, Michelle Boesche e Simone Evaristo.                          

Sobre a Coberta da Alma

De origem açoriana, neste ritual fúnebre – também realizado no sul do Brasil – um ente querido assume a identidade de quem faleceu por um dia inteiro. Usa suas roupas, interpreta seus modos, gestos e gostos, permitindo assim que sua alma se despeça de todos e possa partir em paz.

Sobre Newton Moreno

Autor, diretor e ator, Newton Moreno encenou seu primeiro texto - Deus Sabia de Tudo... - em 2001. Três anos depois, recebeu os primeiros prêmios - SHELL e APCA de melhor autor por Agreste - de mais de uma dezena de premiações, entre as quais se destacam o Prêmio SHELL de melhor autor por As Centenárias (2007), SHELL de melhor direção e cenário e APCA de melhor espetáculo, ambos por Memória da Cana (2009);

APCA de melhor autor por Terra de Santo e Maria do Caritó (ambos 2012) e pela adaptação de O Grande Circo Místico (2014). Antes de Imortais, teve seu texto Um Berço de Pedra dirigido por William Pereira em uma montagem indicada em seis categorias aos prêmios SHELL, APCA e Aplauso Brasil.

Sobre Inez Viana

Atriz, diretora e professora teatral, em seus 30 anos de carreira Inez Viana já trabalhou com diretores como Aderbal Freire-Filho, Enrique Diaz, Miguel Falabella, Jorge Fernando, Sérgio Britto, Cecil Thiré, Sérgio Britto, Domingos de Oliveira, Luís Antônio Martinez Corrêa. Estreou na direção em 2009, com o espetáculo As Conchambranças de Quaderna, de Ariano Suassuna, indicado ao Prêmio SHELL de direção, iluminação e música, seguido pela direção de Amor Confesso, de Arthur Azevedo – também indicado ao SHELL de melhor direção - e Os Mamutes de Jô Bilac, ambos em 2011. Antes de Imortais, Inez fez a direção do espetáculo Mata teu Pai, de Grace Passô.

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Bom para acompanhar você quando estiver correndo, com saudade do Angeli e do Laerte dos anos 80 e outras cositas más. Chega mais!