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Em Pauta
Sem Torres nem Muralhas
Sempre que há a perspectiva de se interferir drasticamente no panorama urbano de São Paulo, instaura-se a polêmica. Dessa vez,a controvérsia tomou proporções enormes, até porque o projeto em pauta pretende plantar o maior prédio do mundo no lugar
de 60 quarteirões preexistentes. Por trás desse empreendimento, os discursos versam sobre o respeito à memória da cidade e as agressões ao seu patrimônio tradicional em contraposição ao "progresso" que nada enxerga pela frente. Neste em pauta,
o colóquio prossegue
Nicolau Sevcenko
Franz Kafka nos conta como na época da construção da Grande Muralha da China, um sábio arquiteto e planejador teve uma idéia genial. Em vista da escala e amplitude sem precedentes da obra, ele se deu conta de que a muralha, uma vez construída, poderia ser tomada como base para o desenvolvimento de um outro projeto, ainda maior. Segundo ele, só por insuficiência nos cálculos e nas técnicas construtivas é que a tentativa de edificação da Torre de Babel havia falhado. Mas, agora, os avanços eram tão patentes que, é claro, assim que finda, a Grande Muralha deveria ser transformada na base para a construção heróica e definitiva da torre que permitiria aos homens estabelecer a ligação entre a terra e o céu.
A parábola é de uma força simbólica prodigiosa. Se já se embarcou numa loucura, o que impede de levá-la a níveis ainda mais insanos e desvairados? Tanto assim que "os mandarins, incitados por um lindo sonho matinal, convocam a sessão urgente: resolvem e já à noite põem mãos à obra e tiram os habitantes da cama para cumprir a resolução". O projeto era tão megalomaníaco que apesar de arrastar gerações e mais gerações de chineses num esforço sobre-humano, de despovoar regiões inteiras, de abalar a agricultura, gerando miséria, fome, enchentes e desmoronamentos, prolongou-se por um longo tempo, nunca foi concluído e jamais impediu que a China fosse invadida pelos povos do Norte.
O tema dos projetos mirabolantes era muito caro a Kafka, que viveu na época em que a Europa foi assolada por uma febre de reformas urbanas. O processo teve início com a reforma de Paris, sob o comando do Barão de Hausmann, eliminando os antigos bairros de concentração operária no centro da cidade, numa espécie de cirurgia estética urbanística, para abrir espaço para os grandes bulevares, os parques, o comércio sofisticado, os passeios e desfiles elegantes, os carros e a força policial que mantinha o povo à distância. Era a grande burguesia criando uma cidade à imagem e semelhança de seu projeto político. A fúria reformista e excludente foi tão bem-sucedida que foi imitada por toda parte, em Viena, na Praga de Kafka e até nas periferias distantes, em Buenos Aires, no Rio de Janeiro e em São Paulo, assinalando o clima eufórico e triunfalista da Belle Époque.
A crítica desse modelo urbano segregador, elitista e tecnocrático, dos projetos unificadores, das grandes obras e da gestão "científica" se intensificou sobretudo com os esforços de democratização após a Segunda Guerra. Novas gerações de artistas e arquitetos procuravam compreender a cidade como um campo complexo de interações sociais e culturais em diferentes níveis, de modo a produzir um efeito de permanente transformação nas formas de percepção, ocupação e utilização dos espaços, símbolos e equipamentos urbanos pelos seus diversos habitantes. Qualquer prática de gestão urbana deveria, portanto, priorizar a população, suas necessidades, relacionamentos, participação, expectativas e qualidade de vida. Pois, como arremata Kafka: "Se tivesse sido possível construir a Torre de Babel, sem que jamais ninguém entrasse nela, a sua construção teria sido consentida".
Nicolau Sevcenko é professor de História da Cultura, Departamento de História, Universidade de São Paulo
Ignácio de Loyola Brandão
Sempre se critica a cidade. Eu, inclusive. Duramente. Porque se imagina que, com a crítica, esteja-se construindo. Nem sempre. A crítica que constrói é aquela que vem acompanhada de uma idéia para mudança ou solução. Aqui, diante do computador, pensei em tomar o caminho inverso. E encontrei esse caminho em um livro que eu escrevi e ainda não foi publicado: uma história sobre a Bolsa de Valores do Estado de São Paulo. Mas, uma história diferente. A evolução da cidade é acompanhada pela Bovespa ali de seu reduto tradicional, no velho Triângulo Paulista, o centro financeiro. De onde ela nunca saiu. E nas páginas finais encontrei este trecho que é para cima. O tom que precisamos quando estamos prestes a mergulhar no ano 2000. Cheio de carinho. "No parque da Aclimação, todas as manhãs, o velho japonês comanda sessões de tai chi chuan e ensina técnicas orientais de respiração e relaxamento. Assim que o parque do Ibirapuera se abre, na madrugada, as pessoas entram ansiosas para uma hora de cooper. No bairro da Pompéia, à noite, gente pendurada em cordas escala um paredão vermelho de concreto; alpinismo urbano na fachada de uma academia de ginástica. Aos domingos, jovens, amarrados por cordas elásticas, descarregam adrenalina atirando-se do alto do viaduto da avenida Doutor Arnaldo sobre a avenida Sumaré.
Indiferentes à imagem que se montou em torno de São Paulo (cidade feia, poluída, violenta, sem divertimentos, etc.) existem os paulistanos que reagem e tiram proveito das brechas possíveis. Caminhar é um exercício recomendável? Caminhemos então nos lugares disponíveis. Água Branca, parque Burle Marx, parque Guido Calói, parque da Independência, horto Florestal, ou na minirreserva do Caoc, um clube de médicos e alunos de medicina, atrás do Hospital das Clínicas, nos parques que o Sesc distribuiu pela cidade. Caminhar é fácil, gratuito. A cidade se assusta, mas não se intimida. Ela é feia? É. Mas por que não procurar seus encantos mais bonitos? Alguém já imaginou um tour em busca das belas árvores? Sabem que há pau-brasil, cedros, abacateiros, figueiras, sibipirunas, paineiras, ipês, incontáveis quaresmeiras e milhares de azáleas, uma flor-símbolo. O que temos de verde é infinito, dadas as necessidades. Mas, como nunca, as pessoas estão plantando vasos, ou latinhas, formando jardineiras ou comprando móbiles curiosos; seis recipientes de plástico com água pendem dos tetos, cada um com uma plantinha dentro. As reações são individuais e lentas, todavia existem. Talvez por essa razão os pássaros estejam voltando, já se ouvem bem-te-vis, andorinhas, rolinhas, sanhaços e se vê curiosas revoadas de periquitos. Há buracos nas calçadas e ruas, as administrações municipais têm sido omissas ou ineficientes. No entanto, sistemas de mutirão, em finais de semana, juntam moradores de uma quadra ou bairro para reparos ou limpeza de praças e pracinhas e, na periferia, até mesmo para erguer paredes e casas. Os anos de 1990 trouxeram ao país e à cidade o desencanto absoluto com o poder público e, em contrapartida, a descoberta da solidariedade. Pequena, ainda, claro. No entanto, tende a crescer, à medida que a conscientização se instala em cada um. Stephan Stroux, diretor de teatro alemão, que montou aqui uma peça chamada A Flor e o Concreto, disse um dia: 'São Paulo é o fim e o ponto de partida'. O olhar do estranho, muitas vezes, vê mais do que o nosso, prejudicado pela familiaridade. A cidade se destrói e se reconstrói. Ela se autodevora para renascer. Ela se acaba e se refaz. Substitui referenciais, ilude..."
Ignácio de Loyola Brandão é jornalista e escritor
Mirthes Baff
A cidade de São Paulo é freqüentemente assinalada como uma cidade desprovida de encantos, dura e maltratada: uma cidade sem rosto. Uma cidade que se autoconsome antropofagicamente renascendo cada vez mais triste, mais feia, mais violenta.
Não foi sempre assim.
Até meados da década de 1950, São Paulo era uma cidade onde as qualidades eram maiores que os defeitos e o seu ritmo era chamado de progresso. As ruas eram arborizadas, seus edifícios novos ou antigos eram bem cuidados e seu trânsito agitado não era caótico.
A gente paulistana, orgulhosa de sua "cidade que mais cresce no mundo", tinha por hábito passear por suas ruas e praças e confiava num futuro que adivinhava pujante e tranqüilo.
Para o paulistano de hoje é difícil entender essas imagens do passado; não parece possível sentir orgulho ou identificar-se com esta cidade deformada, amarfanhada, maltratada.
O paulistano, de preferência, esconde-se em sua casa; quem pode, circula de carro, a caminho do trabalho ou de algum shopping que o impeça de saber em que lugar está. Uns poucos ainda se aventuram pelos parques, agora cercados e guardados para se proteger da cidade que, de forma ameaçadora, os engolfa.
Em algum lugar do caminho, o encanto desfez-se e o príncipe virou sapo; o cristal rompeu-se.
Resta alguma coisa da velha cidade aprazível e hospitaleira, da cidade dos nossos pais e avós, da infância de tantos?
Alguns garantem que sim, que ela ainda é visível, que ainda pode ser percebida por entre os ícones da modernidade, atrás dos outdoors, escondida por alguma grade ou painel. A velha cidade, machucada e desprezada, existe.
É um exercício interessante caminhar pelas ruas de São Paulo e descobrir os vestígios da cidade-mãe; pode ser um muro, os restos de uma platibanda decorada, um portão de ferro trabalhado que indica que aquele prédio, aquela casa, apesar de sua fachada "nova" é ainda a velha casa dos tempos amenos. Ou a grande árvore centenária, a viela escura e estreita, a rua sinuosa que em seu traçado indica ter sido construída sobre uma antiga via ou caminho (de quantos séculos?). Antigos caminhos como os eixos Florêncio de Abreu/Tiradentes, Dr. Falcão/Quirino de Andrade/Consolação, rua da Glória/Lavapés ou avenida São João, por onde os paulistanos vão e vêm, há centenas de anos.
Mas o paulistano parece um tanto esquecido de que a sua cidade tem uma história.
Poucos se abalam quando velhos e belos casarões sucumbem a mais um edifício "high-tec" ou a mais um shopping. Parece normal descaracterizarem-se fachadas em nome de uma "nova" estética cujos parâmetros mudam a cada ano.
Mesmo o poder público, que tem como uma de suas funções zelar pelo patrimônio público, faz a sua parte nesse jogo de "cabra-cega", intervindo sempre de maneira agressiva nos espaços públicos da cidade, promovendo transformações que acabam descaracterizando em vez de recuperar.
Tomemos como exemplo o Largo da Memória, um dos mais belos espaços da cidade, construído em 1922, em torno do obelisco do Piques, o mais antigo monumento da cidade, datado de 1814. Incrustado de forma magistral no barranco que separa a rua Quirino de Andrade da rua Xavier de Toledo, o Largo, que seria motivo de orgulho em qualquer lugar do mundo pela sua beleza, qualidade de projeto e construção, é constantemente agredido; suas maravilhosas escadarias em cascata, suas amuradas da mais fina cantaria, seus painéis de azulejo magnificamente executados estão, constantemente, encobertos por pichações e são freqüentemente danificados. O espaço é usado como mictório público e seu tanque é usado como depósito de lixo. Os órgãos públicos, por sua vez, não promovem nenhum tipo de guarda ao monumento, a área passa meses sem ser limpa e reparada. Periodicamente são feitas intervenções que invariavelmente introduzem modificações no projeto original (alteram-se pisos, traçados de caminhos internos, etc.), contribuindo para o processo de descaracterização desse espaço: parece que falta um certo olhar amoroso, um olhar respeitoso que reconheça a importância do Largo como monumento e como espaço público que cumpre a sua função urbana de maneira plena. Mesmo as instalações do metrô, com escadas rolantes localizadas ao lado do Largo, não roubam a este o papel de "praça de circulação de pedestres", como bem enfatiza o professor Benedito Lima de Toledo em seu São Paulo: Três Cidades em um Século. O obelisco em torno do qual o Largo se desenvolve tem, em sua base, uma inscrição que parece, hoje, irônica: "Ao zelo do bem público".
Esse patrimônio ao qual nos referimos não é o patrimônio de uma cidade do passado, ultrapassada, morta. É o patrimônio de uma cidade que está viva, palpita e se move ante nossos olhos: são as ruas por onde passamos, os edifícios que nos rodeiam, as praças, as igrejas; falta apenas acessar o seu significado, falta apenas dar a esse patrimônio um lugar em nosso cotidiano, incorporá-lo ao nosso olhar, zelar por ele e ouvi-lo contar a nossa história.
Mirthes Baff é arquiteta do Departamento de Patrimônio Histórico de São Paulo (DPH)
Carlos Lombardi
Quando aparece um projeto faraônico como o do Empire State do Gasômetro, sempre volta o velho papo que São Paulo é uma cidade que consome pouco fosfato e não tem memória. O assunto sempre foi complicado. Afinal, tanto no novo como no velho, há atração e repulsa, há o que presta e o que não presta. Como diz Caetano sobre a cidade, "a força que ergue e destrói coisas belas".
E não há uma regra fácil de tradução, tipo velho=belo, novo=feio ou o contrário. A falta de cerimônia com que o passado da cidade é tratado sempre me pareceu doentia. Ao mesmo tempo, há trechos inteiros da cidade que já estavam devidamente ocupados e erguidos na minha mais tenra infância - e eram e continuam horrendos.
Há muita arquitetura "early nothing" em São Paulo. A velhice não traz obrigatoriamente a sabedoria - quantas pessoas não conhecemos que são apenas chatas e desinformadas, tanto aos 20 como aos 60 anos?
Quando havia ainda o trem de passageiros para o Rio, gostava dos primeiros minutos da viagem, atravessando a zona do Mercado e o Pari, bairros da minha infância. Tantas lembranças... mas viver lá de novo, nem morto! E o parque D. Pedro? Na minha infância, era feio. Atualmente, é hediondo, uma rodoviária improvisada de ônibus da Zona Leste.
Evidente que acho lindo visitar a cidade de meus antepassados, Lucca, na Toscana. Todo seu centro é uma cidade murada do século 12, conservada como tal. Mas não tenho a mesma emoção quando passo pela Celso Garcia da minha infância.
Esse tipo de discussão acontece muito em São Paulo porque o destruir ou conservar depende exclusivamente dos homens. Imagino em Tóquio um embate entre duas facções, uma quer preservar tal prédio, outra quer pôr abaixo. No auge da manifestação, um terremoto assusta igualmente a todos e acaba com aquele prédio e mais vinte. E aí?
A memória de uma cidade como São Paulo é importante, mas não pode ser a dona da casa. Há de se colocar energia, sim, em recuperar o que pode efetivamente ser patrimônio de toda a cidade.
Quando escrevo uma novela que se passa em São Paulo, sempre me descabelo pensando que imagem vou usar para caracterizar a cidade, fora a avenida Paulista? São Paulo não percebe que é a relação da terra com a água que define as grandes cidades e que tem no Pinheiros e no Tietê dois grandes rios urbanos que poderiam ter pontes como os do sul dos Estados Unidos, jardins como os do Tâmisa, barzinhos e barcaças como os do Sena. Esses dois rios, recuperados, nos trariam lazer, saúde e emprego no turismo. Um dia eles já foram limpos.
Recuperar essa memória, sim, é urgente, lucrativo e nada controverso.
Carlos Lombardi é autor de telenovelas
Paulo Chutae Akamine
As tentativas de renovação urbana geraram uma exacerbação da questão social e aqui nos deparamos com duas questões básicas: a expulsão da população pobre que ocupou os espaços que gradualmente se degradaram e a revalorização fundiária que as intervenções modernizadoras introduzem. No primeiro caso, deixa-se ao destino e descaso áreas que vêm se deteriorando pela precedência dada às questões de circulação e tráfego pelos projetos urbanísticos, desde a década de 1950-1960, nos quais o espaço pré-existente, o suporte, tornou-se um fragmento isolado de seu contexto original. Na segunda questão, a revalorização fundiária vem automaticamente a reboque, para oportunidade de negócios em áreas já desvalorizadas e nessa situação os processos globalizantes apontam soluções de total exclusão: em muitos casos, a lógica empresarial opta por abandono da cidade e em outros casos, a criação de novos centros de negócios, seccionados do tecido urbano e fechados em si mesmos, conectados por redes mundiais de comunicação por satélites ou fibras óticas. As novas políticas parecem cada vez mais orientadas para a atração do capital internacional na escala local e para tanto promovem uma gigantesca reestruturação econômica e espacial em que o urbanismo fabrica espaços que reforçam a fragmentação social. Essas atuações estratégicas de escala variável podem ser desde um parque até operações de centenas de hectares, mas o mais importante, segundo o discurso desses teóricos, é que motivem dinâmicas transformadoras, atribuindo às obras uma força propulsora capaz de regenerar os bairros degradados ou até de frear o declínio de cidades. Tal é a situação que hoje vivemos diante da possibilidade de um novo cartão postal da cidade, uma ilha de excelência e alta tecnologia, a se elevar com seus 108 andares a 510 metros do solo, numa pretendida competição pelas maiores alturas, o futuro empreendimento arquitetônico que leva o exótico nome de Maharishi São Paulo Tower, no bairro do Pari. Antes mesmo de sua aprovação, o projeto nasce sob o signo da polêmica, de um lado a defesa do próprio investidor acenando com as riquezas criadas para a cidade e com uma ideologia de superação das fronteiras culturais nacionais, apoio de grandes nomes da arquitetura brasileira, aprovação irrestrita de associações com interesses na área central e objeto de cobiça de investidores, proprietários e inquilinos, atentos aos valores de venda e locação na região; de outro lado, ironia dos descrentes que batizaram o grande negócio de "alienígena urbano", "palácio javanês", "templo maia" ou simplesmente "Godzila". Por que levar a sério os temores de especialistas que conhecem de longa data a história da cidade e os efeitos perversos das mega-intervenções arquitetônicas se todos sairiam ganhando na geração de 10 mil empregos diretos na construção e 35 mil indiretos, um reforço astronômico nos cofres municipais da ordem de R$15 milhões em IPTU e investimentos privados de R$3 bilhões por ano, enfim, a pretendida e sonhada recuperação da área central da cidade?
Das vozes discordantes, Regina Meier, da FAU/USP, entende que o megaprédio se isolará do resto da cidade com um parque funcionando como "um grande fosso em volta do castelo", prescindindo do entorno: às cidades globalizadas o que interessa é o rápido acesso por grandes vias e o complexo de telecomunicações para os negócios. O próprio lazer estará disponível num complexo de shopping, restaurantes, teatros, hotéis, centro de convenções e exposições, concluindo-se que se tudo estará dentro da grande torre não se precisará da economia, da cultura dos arredores e muito menos de seus vizinhos.
No momento em que se procede ao enclausuramento do lazer na segurança dos grandes shoppings e parques temáticos, e agora nos megaprojetos arquitetônicos empresariais, onde e como viabilizar projetos culturais, de atividades e eventos que promovam a vida nos bairros e nas ruas - uma política social e cultural que alivie as expressões mais duras da pobreza? Diante dessa situação inusitada, o desafio é abandonar as antigas convicções e encontrar paradigmas para esses novos tempos. Urgente.
Paulo Chutae Akamine é sociólogo da Assessoria Técnica e de Planejamento do Sesc