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É fato que as pessoas viajam
a Nova York, a Paris ou a Frankfurt por duas razões básicas, excetuando a beleza
da capital parisiense: as amplas opções oferecidas de cultura, comércio e serviços.
Ninguém se instala na ilha de Manhattan para desfrutar da natureza ou da paisagem
bucólica de seus parques. O mesmo ocorre com a nossa Paulicéia: o pólo econômico
do país atrai milhares de turistas, internos ou de fora, pela sua infra-estrutura
moderna de comércio e por sua qualidade de pólo cultural.
Tornou-se hábito nas últimas décadas destacar as qualidades da infra-estrutura
paulistana nas duas áreas. O interessante a ressaltar é que, na década de 1990,
tanto o comércio como a cultura experimentaram um salto brutal em sofisticação
e atendimento aos seus usuários. O comércio e os serviços - capa da nossa E
há duas edições -, além de se enraizar em novos nichos de consumo, fizeram uso
de modernas técnicas de marketing e de tecnologia para melhor atender a seus
clientes; da tecnologia retiraram, inclusive, instrumentos para captar melhor
os desejos e as necessidades de seu público.
Na infra-estrutura cultural, a abordagem sofisticada não tem sido diferente.
Somente nos dois últimos anos, a Paulicéia ganhou alguns de seus mais modernos
centros de cultura e de lazer, como o Sesc Vila Mariana, a Sala Júlio Prestes,
o Alpha Real, o Credicard Hall e o restaurado Theatro São Pedro, entre outros
espaços. Além de ocorrer um espraiamento geográfico na oferta de bens culturais,
São Paulo ganhou palcos específicos para os diferentes gostos, como uma sala
para grandes platéias, outra para concertos, ainda outra para orquestras. Além
de várias outras casas especializadas apenas em música pop nacional e internacional.
A partir da reinauguração do Teatro Anchieta, após uma ampla reforma, trazendo
agora a estréia da nova peça do diretor Antunes Filho, a matéria de capa mostra
como São Paulo se preparou para ser a capital cultural do Mercosul e um dos
maiores centros mundiais na oferta de espetáculos. No texto se destaca a infra-estrutura
montada para atender a platéias cada vez mais exigentes e sofisticadas e como
o público encontra uma variedade sempre maior de bens culturais de reconhecida
qualidade.
O leitor encontra ainda nesta edição outro tema capaz de provocar reflexões
sobre nossa cidade: as alterações na paisagem urbana, a partir de grandes intervenções,
até que ponto interferem na memória afetiva dos paulistanos? Escritores e especialistas
respondem a essa questão.
Boa leitura!
Danilo Santos de Miranda
Diretor do Depto. Regional do SESC