Sesc SP

postado em 18/04/2022

Da tela para o papel

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Publicados originalmente em e-book, livros da coleção Discos da Música Brasileira começam a sair também na versão impressa

 

Há quem considere os livros físicos objetos fascinantes. Somente os exemplares de papel, com suas texturas, cheiros e cores, são capazes despertar os sentidos dos leitores e ir além do que pode ser percebido apenas pelo conteúdo da obra. Além disso, o papel não quebra e nem fica sem energia. E no fim das contas, receber um autógrafo, escrever uma dedicatória, fazer uma anotação no canto da página são experiências que um e-book jamais será capaz de oferecer. Tudo isso explica porque várias pesquisas realizadas pelo mundo apontam que, embora um livro digital tenha lá seus encantos, ele não substituiu o lugar dos físicos.

Outra prova de que o papel ocupa um espaço cativo quando se trata de leitura é a iniciativa das Edições Sesc São Paulo, que passam a lançar as versões impressas de livros produzidos originalmente apenas para o ambiente digital. A estreia acontece com Da Lama ao caos: que som é esse que vem de Pernambuco?, escrito pelo jornalista José Teles, título que revela os bastidores do disco antológico de Chico Science & Nação Zumbi.

A publicação, lançada como e-book em 2019, foi também a primeira da coleção Discos da Música Brasileira, organizada pelo jornalista e crítico Lauro Lisboa Garcia. "Pessoalmente prefiro o livro em papel, leio muita coisa no formato digital, mas acho que o livro impresso tem um valor insubstituível", opina. E observa: "A impressão que me dá é que a versão impressa é uma espécie de certificado de conclusão de um processo. Muda a relação com o leitor, como muda a relação do ouvinte com o disco físico. Um livro na estante é um convite muito mais atraente à leitura, à pesquisa ou à releitura."

Para Jefferson Alves de Lima, coordenador editorial responsável pelo projeto, sempre houve a intenção de publicar a coleção nos dois formatos. “Desde esse primeiro lançamento como e-book, chegaram solicitações de leitores pedindo o livro físico, dizendo que iriam esperar o exemplar impresso. O livro digital tem longo e fácil alcance, mas a gente considera que o trabalho da instituição seja alcançar mais leitores, oferecendo todas as possibilidades”, explica.

 


Trecho do livro

 

Próximos livros

Ao longo de 2022 os demais títulos da coleção Discos da Música Brasileira também deixarão de existir apenas no formato digital para ganhar as versões impressas. Em breve os leitores poderão ter em mãos Acabou chorare: o rock'n'roll encontra a batida de João Gilberto (2020), escrito pelo jornalista Marcio Gaspar, África Brasil: um dia Jorge Ben voou para toda gente ver (2020), eleito o melhor do ano na lista da Scream & Yell e escrito pela jornalista Kamille Viola e O canto da cidade: da matriz afro-baiana à axé music de Daniela Mercury (2021), escrito pelo jornalista Luciano Matos.

E, por fim, os fãs de Gilberto Gil já podem esperar pelo quinto e último livro da coleção (primeiro em e-book, depois impresso): Refazenda: o interior dá frutos na abertura da trilogia ‘Ré’ de Gil, escrito por Cris Fuscalo. O título está na fase final de produção editorial e abordará os bastidores dos três discos lançados pelo compositor baiano durante os anos 1970: Refazenda (1972), Refavela (1975) e Realce (1979) – álbuns que apontam tanto para as transformações sociopolíticas da época quanto para consolidação da formação musical do artista.

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