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Os sons de Minas Gerais

A produção cultural de um povo, feita em uma determinada região, diz muito sobre sua história. Com Minas Gerais não poderia ser diferente. O Estado preserva um grande patrimônio arquitetônico e artístico, herança do período colonial brasileiro, visível em cidades como Ouro Preto, Diamantina e Tiradentes. É a partir de tradições portuguesas, africanas e indígenas, que as manifestações folclóricas mineiras são formadas. Esse legado se reflete nas mais variadas artes, da culinária à música, e se expande por todo o país.

Nos anos 1960, Minas Gerais marcou presença no cenário musical brasileiro com o Clube da Esquina, movimento precursor que fez história ao revelar artistas hoje consagrados como Milton Nascimento, Lô Borges, Toninho Horta e Beto Guedes. Entre 1970 e 1980, Flávio Venturini, 14 Bis, Fernando Brant, Wagner Tiso e Vander Lee tornaram a MPB dos mineiros conhecida em todo o Brasil. Anos depois, na década de 1990, o país conheceu as bandas de rock e pop como Skank, Pato Fu e Jota Quest.

Hoje, o Estado mantém sua tradição em projetar artistas novos como Makely Ka, Lucas Teles, Ju Perdigão, Luiza Brina, Marcos Ruffato e Rafael Pansica. “Se tem algo que acompanha a música mineira pelo tempo, desde o Clube da Esquina até os dias de hoje é um cheiro de montanha. Ele vem acompanhado por harmonias inusitadas e melodias peculiares”, comenta Ruffato. Bandolinista, o músico tem seu repertório pautado por composições autorais que evocam tradições mineiras.

Esses novos artistas trazem frescor à música, mas não se esquecem de grandes nomes que os influenciaram, como João Gilberto, Baden Powell e Hermeto Pascoal. “Hermeto é um cara à frente de seu tempo. Ele resume uma filosofia musical que eu admiro. É ousado e traduz as influências da música instrumental universal de uma forma brasileira”, revela Rafael Pansica. O compositor, arranjador e violonista recebe boas críticas por seu trabalho autoral e ainda interpreta obras de Hermeto em seus shows.

Pansica e Ruffato foram vencedores do 16º Prêmio BDMG Instrumental, em 2016. O festival criado em 2001, pelo BDMG Cultural - Instituto Cultural Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais, prestigia compositores e arranjadores que despontam no cenário da música instrumental mineira. Seu prêmio consagra quatro finalistas e convida os vencedores a participarem do programa Instrumental Sesc Brasil. “Foi muito bom tocar em São Paulo e mergulhar no universo da música instrumental que é novo para mim. Isso trouxe mais frescor e inspiração para o meu trabalho”, conta Ruffato.

O Instrumental Sesc Brasil é um projeto pioneiro que acontece nas unidades do Sesc, na capital paulista, desde o início dos anos de 1980. Sua realização promove encontros entre artistas novos e consagrados, com trabalhos que transitam pelas diferentes vertentes da música. Os shows, que começaram a ser adaptados para a TV em 1990, são realizados semanalmente no Teatro Anchieta, do Sesc Consolação, com entrada gratuita. O evento ainda conta com transmissão ao vivo, nas segundas-feiras, às 19h, pelo portal do Sesc (sescsp.org.br).

O SescTV, exibe a série Instrumental Sesc Brasil, que neste mês, traz as apresentações inéditas de Marcos Ruffato e Rafael Pansica, entre outros músicos.

 

INSTRUMENTAL SESC BRASIL

MARCOS RUFFATO
Dia 13, 14h

RAFAEL PANSICA
Dia 21, 21h 30