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Postado em 05/04/2010

 

  

Um Passeio pelo Esporte com a 3ª Idade
por Cláudio Alarcon

Costumo passear de bike em parques e ciclovias. Nesses espaços, nos chama a atenção a convivência entre crianças, adolescentes, jovens pais e filhos pequenos, adultos, pessoas da minha idade e outras mais velhas. Além do uso da bicicleta, diversas outras atividades ganharam a cidade – áreas públicas e privadas – ruas, quadras, centros comunitários de bairro, academias, feitas por pessoas das mais diversas faixas etárias.  Não dá para imaginar estas práticas há quase quarenta anos – época em que eu era adolescente. Em todos esses locais se permitiu a democratização do espaço para quem estivesse  à procura da brincadeira, do prazer, da competição, e também do bem-estar e da convivência em grupo.



Quem frequenta os centros culturais e desportivos do Sesc está acostumado a conviver com idosos participando das várias atividades oferecidas. Hoje ninguém estranha que senhoras e senhores maiores de 60 anos, trajando roupas esportivas, se exercitem em jogos de vôlei, futebol, basquete ou nas aulas de hidroginástica. Estas pessoas fazem parte do movimento diário da instituição, representando uma grande parcela de seus frequentadores. São, na verdade, protagonistas de uma histórica ação institucional que teve início nos anos de 1970.



A ginástica, voltada ao público mais velho, foi introduzida no Sesc a partir da década citada, ampliando as ações do programa Trabalho Social com Idosos, criado em 1963. Depois dela vieram outras modalidades de atividades físicas que passaram a ser oferecidas como dança, hidroginástica, técnicas orientais como yoga e tai chi chuan. Aos poucos, organizaram-se metodologias específicas para o trabalho com este público. A partir dos anos de 1980, ampliou-se o foco de atuação da entidade para a reflexão sobre um tema pouco estudado até aquele momento – o esporte para idosos. 



No ir e vir da Terceira Idade para suas atividades físicas, ao longo dos anos, consigo recuperar da memória – à época em que trabalhei nas unidades de Bertioga, São Carlos e Ribeirão Preto – a sua presença cada vez maior em práticas e modalidades esportivas. Lembro-me de malha na praia, bocha de campo e de mesa, hidroginástica, vôlei, basquete, até uma série de novas modalidades pesquisadas e aprendidas pelos professores – sugeridas aos idosos – e incorporadas à prática.



Graças aos valores do esporte, guardei que a importância do convívio e da troca de experiências foi superior à própria competição e disputa. Divergências ficavam circunscritas ao âmbito das quadras, e, a despeito delas, as amizades permaneceram durante anos.



Nas conversas informais, nas paradas para um café, antes ou depois das atividades, o público extrapolou o momento das aulas e dos jogos. Auto-organizou-se, passou a criar laços de afetividade, grupos de interesse, novas amizades, novos objetivos para a vida.



As experiências vivenciadas por professores e alunos, os novos jogos e as novas formas de jogar, a preocupação com a inclusão e com a aplicação do aprendido no cotidiano, fazem parte da permanente reflexão e aplicação prática dos responsáveis por essas atividades. Essa larga experiência e a força dessa ação resultou na publicação Esportes para Idosos: Uma Abordagem Inclusiva (Edições Sesc, 2010), estudo que reúne o olhar atento desses profissionais com vistas à adequação de modalidades clássicas e à introdução de novidades.



Mais uma conquista, dentre tantas, que se incorpora às ações em prol da qualidade do envelhecimento – para aqueles que já são e para os que herdarão esse patrimônio oriundo das lutas das gerações anteriores.
Assim, encerrando esse breve passeio, fica patente a necessidade de que o olhar para o envelhecimento deva estar cada vez mais incorporado às nossas ações cotidianas. Trazendo para perto, é animador ver que nas unidades do Sesc ele está sendo experienciado, no dia a dia, por várias outras faixas etárias. Afinal, a velhice está deixando de ser um tema abstrato para ganhar concretude em nossas práticas cidadãs.



Cláudio Alarcon, graduado em Serviço Social, é gerente de Estudos e Programas da Terceira Idade do Sesc São Paulo

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