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Matéria de Capa

Postado em 05/04/2010


O esporte e a atividade física praticados sob orientação adequada podem melhorar, e muito, as condições de saúde, o humor e a qualidade de vida de idosos



Não é nada fácil falar com ela. Suas tarefas ocupam-lhe o dia e, em sua maioria, em nada lembram aquela antiga imagem da vovó, às voltas com quitutes ou demais obrigações do lar. Não que haja algo de errado com isso, a questão é que dona Aparecida Paiva, 88 anos – “89 em julho”, adianta –, faz parte de outro time. Na verdade, de outros times: o do vôlei, do basquete – sem contar as partidas de tênis, que ela adora. “Um dia me deu na telha de aprender a jogar tênis, então fui”, explica.


Dona Aparecida, atualmente, pratica seus esportes preferidos no Sesc Itaquera, unidade que frequenta há 14 anos. “Desde que começou o grupo de terceira idade”, acrescenta. Mas sua história com a atividade física é mais antiga, remonta a 1974, quando a simpática esportista se aposentou.


“Eu não sei parar. Então não paro”, informa. “Quando não estou fazendo esporte, estou cortando galho de árvore no quintal.” E dá um conselho: “Nenhum idoso deveria parar. Porque a gente que tem idade vai ficando cada vez mais cansado e vai encolhendo, então precisa alongar. Eu faço alongamento, faço dança, que também movimenta o corpo.” Dona Aparecida conta que a atividade física lhe trouxe benefícios tanto para a saúde do corpo quanto da mente. “Opa, para a cabeça é ótimo. Na minha idade já era para eu estar caduca”, brinca.


A boa notícia é que dona Aparecida não está sozinha. Só nas unidades do Sesc, pessoas pertencentes ao público da terceira idade frequentam aulas, cursos e jogos nos programas de esporte para idosos, que inclui modalidades com alterações – nas regras e materiais utilizados, por exemplo –, tornando-as adequadas para a prática.


O jogo, porém, continua sendo uma atividade instigante, lúdica e prazerosa. “Se a gente for pensar nos implementos, por exemplo – a bola, a rede, a raquete, o dardo, o disco –, a variação é quanto ao peso deles”, informa Regiane Galante, assistente da Gerência de Desenvolvimento Físico Esportivo (GDFE) do Sesc. “Já num esporte como o futebol, que exige muita corrida, a quadra é dividida em áreas, o jogador permanece num mesmo quadrante e o que faz a bola correr é o passe.”


A assistente da Gerência de Estudos da Terceira Idade (Geti) Regina Célia Sodré complementa dizendo que dessa forma os choques entre os jogadores são evitados. “Mas o objetivo da modalidade continua sendo o mesmo: o gol, a cesta, o ponto, a distância”, conclui Regiane (veja mais modalidades no quadro Esporte para idosos).
Esforço conjunto


Essa ação do Sesc faz parte de uma longa história da instituição na área do trabalho social com idosos, iniciado há 46 anos. “Essa trajetória foi sendo construída ao longo do tempo”, explica Regina. “No final de 1963, quando foi inaugurado o primeiro grupo de convivência, não havia uma idade limite, a ideia era trabalhar com aquela pessoa que já estava fora do mercado de trabalho e que precisava fazer alguma atividade para preencher seu tempo livre.”


Entre as primeiras atividades oferecidas estavam a bocha e jogos como cartas, dominó e damas.
De acordo com Regiane, essa área começou a se ampliar com os avanços de estudos dos benefícios da atividade física para a qualidade de vida do idoso no mundo todo, no início dos anos 1970.


“O Sesc viu então que era necessário também pensar num programa de atividades físicas para esse público”, diz. “Foi quando começaram as aulas e cursos de ginástica, de alongamento, enfim, atividades que visavam ao desenvolvimento físico, mas no sentido de um desenvolvimento integral do indivíduo.”


Um novo passo foi dado nesse trabalho no início dos anos de 1980, quando o Sesc realizou um encontro entre seus técnicos, juntamente com outros profissionais de educação física, para refletir sobre a prática esportiva na terceira idade. “A ideia era buscar um embasamento teórico que pudesse referendar aquilo que as pessoas [os idosos] já queriam fazer [nas unidades] e, assim, introduzir, de fato, o esporte na terceira idade”, explica Regiane.


O evento realizado no começo da década de 1980, além de aprofundar a discussão dentro da instituição, buscou sistematizar uma iniciativa que cada vez mais ia se consolidando. “A experiência mostrava que o esporte não fazia mal para a terceira idade”, retoma Regiane. “Porque já havia idosos praticando algumas modalidades, à sua maneira, nos clubes, nos centros comunitários.


O que não havia era a sistematização desse conhecimento.” Nessa época, teve início um movimento que buscava pensar em variações dentro de algumas modalidades esportivas a fim de torná-las possíveis para a prática do idoso. “Mas sempre tendo em mente que o esporte pode trazer questões como a sociabilidade e o prazer da prática em grupo”, ressalta Regiane.


Em 1982, o Sesc realizou então o primeiro Encontro de Esporte e Cultura para Terceira Idade, na unidade de Bertioga, um evento que trouxe para a discussão os próprios frequentadores da terceira idade.  “Esse evento existe até hoje”, esclarece Regina. “E a ideia continua a mesma: juntar, dentro [da unidade] de Bertioga, idosos de todas as cidades que o Sesc atende por meio de uma confraternização.”








Diferentes perfis


O professor de educação física Ernesto Marquez Filho, autor da tese “O Esporte para Idosos: uma Perspectiva Educativa para a Saúde e Qualidade de Vida”, reforça a importância do esporte em qualquer momento da vida – inclusive na terceira idade.

Para ele, a prática sistemática de atividade físico-esportiva contribui para a melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas, com benefícios que vão desde a melhoria da autonomia motora – “fazendo com que o individuo tenha independência”, diz – até impactos positivos do ponto de vista psicológico, passando ainda por mudanças na vida social dos praticantes. “Por meio da atividade física, esse idoso volta a ter um convívio mais ampliado, o que certamente refletirá no seu comportamento, e com isso se percebe um aumento na sua autoestima”, afirma o professor.


Levar em consideração o histórico de cada indivíduo também é um fator essencial. “Uma parcela desse público é constituída por idosos que já tiveram um passado esportivo”, declara Ernesto. “São ex-atletas, profissionais ou amadores, e que ainda mantêm, na sua prática, valores estabelecidos pelo chamado esporte institucionalizado.” Já a segunda parcela, conforme explica, é composta por aqueles que não têm “um passado de prática sistemática de esportes”, mas apenas experiências esporádicas. “Momentos na escola, no clube ou ainda em espaços considerados não formais”, afirma. "Sem contar aqueles que nunca experimentaram o esporte anteriormente.”


Nesse sentido, Regiane Galante, ressalta a importância de uma prática bem orientada – e não somente para o idoso, mas em todas as faixas etárias. “Os objetivos das pessoas são diferentes e o condicionamento físico delas também”, explica.


“Por isso, quando o idoso chega para uma aula no Sesc – seja de ginástica, de natação ou qualquer outra –, ou ainda para praticar uma modalidade esportiva, ele vai encontrar um professor responsável por acolhê-lo, um profissional que vai buscar entender o motivo pelo qual ele está lá, e que vai perceber quais são suas limitações. É um trabalho individualizado.”


Bom humor e medalhas


Seu Murilo Cesar Caetano da Silva, 66 anos, frequentador da unidade São José dos Campos, é daqueles que prezam a atenção dos instrutores na hora de se exercitar – tanto que pediu para que a reportagem registrasse seu comentário sobre “a qualidade dos professores que o Sesc seleciona”. É esportista desde a juventude, quando jogava basquete e vôlei.


“Embora eu seja baixinho, 1,70, então no vôlei eu era levantador e no basquete era armador”, pondera. Em alguns momentos da vida foi obrigado a abandonar as quadras, mas tratava de retomar a rotina esportiva assim que possível. “Quando você começa a fazer atividade física constantemente, no dia em que você não faz fica com dor nas costas, fica de mau humor”, diz. “É impressionante como muda o ânimo da gente, a endorfina faz falta.”


De olho na saúde – e, claro, no bom humor –, seu Murilo não hesitou em retomar seu condicionamento assim que se aposentou, há 11 anos. “Comecei a frequentar a Casa do Idoso [órgão da prefeitura], e também pagava uma academia particular – para fazer musculação, esteira e bicicleta.” Desde o início do ano passado, o engenheiro aposentado – mas que ainda presta algumas consultorias para complementar a renda – e a mulher, Dulcinea, de 64 anos, frequentam juntos o Sesc, onde fazem ginástica multifuncional e também integram o grupo de esporte para idosos da unidade.


“Quando você fica mais velho, começa a ter pressão alta, aí o médico pergunta o que a gente está fazendo [em atividade física], você responde que nada e ele manda a gente fazer”, relata seu Murilo. “No meu caso, ele me disse para voltar a praticar esporte. Depois que eu recomecei, a dosagem do meu remédio de pressão foi diminuindo até que hoje eu tomo apenas um remedinho. Eu e minha esposa controlamos colesterol, pressão etc. com atividade física.”


Já dona Marli Gomes Estevan, 67 anos, é veterana não só no esporte, mas também na unidade onde pratica suas atividades, o Sesc Taubaté, que ela frequenta há mais de vinte anos. “Quanto eu comecei aqui não tinha jogos”, explica. “Tinha atividades como ginástica, que foi o que eu comecei a fazer. Agora que eu já tenho idade, também pratico esporte para idosos.” Dona Marli faz questão de ressaltar que nunca fez atividade física por ordem médica. “Eu faço porque gosto”, afirma. “Antes de vir para o Sesc eu já fazia no Sesi e cheguei a frequentar os dois lugares ao mesmo tempo.”


O grupo de amigas, que se reúne também fora do Sesc, é outro bom motivo para ela, todos os dias, caminhar de sua casa até a unidade – não raro mais de uma vez no mesmo dia, dependendo do horário das atividades que a interessam. “A gente vem aqui, fala, conversa, briga – porque tem briguinhas também –, e isso é muito bom, de verdade. Quando eu fico um tempo sem vir, sinto falta.”


Foram também questões além da saúde que levaram dona Mitico Nakatani, 78 anos, à prática do esporte – no seu caso, a corrida. A história teve início lá no Japão, sua terra natal, quando ainda era pequenina. “Meu pai tinha uma medalha de ouro que ficava numa caixinha de madeira, forrada de veludo roxo”, lembra. “E como sou curiosa, eu mexi nas coisas dele e achei a medalhinha. Mas não quis perguntar nada para ele, fiquei quietinha.” Depois da morte do pai, o assunto da tal medalha novamente veio à tona.


E, de novo, dona Mitico optou por esconder que sabia dela. “Porque eu já tinha a vontade de, um dia, não sabia quando, ganhar minha própria medalha de ouro.” O sonho foi realizado, muitos anos depois, quando ela chegou em primeiro lugar na categoria máster da Maratona de Paris, aos 74 anos. “Fiz 42 quilômetros em 4h15”, orgulha-se. “E eles tocaram o hino nacional do Brasil.”


Depois disso, dona Mitico, trocadilhos a parte, não parou mais de correr. Apaixonou-se pela modalidade e, passados dois anos, levou outro primeiro lugar na Maratona de San Sebastián, na Espanha. “Meus primeiros resultados foram representando o Brasil lá fora”, diz. Os feitos chamaram a atenção da imprensa, e a maratonista virou destaque na imprensa. Foi assim que, a convite, ela participou de uma maratona realizada pelo Sesc Araraquara e de uma palestra sobre suas conquistas, na unidade Santana, ambas em 2009. “A corrida faz bem para tudo”, garante.




“A saúde melhora, o ambiente é diferente, a gente aprende muitas coisas novas. Mudei a minha vida totalmente.” A prova e o encontro no Sesc lhe renderam, respectivamente, um troféu – “lindo”, acrescenta – e, para sua alegria, mais uma medalha.


Esporte para idosos

As modalidades esportivas com variações mantêm suas principais características, regras e objetivos. O que muda, na maioria dos casos, são os materiais utilizados, a altura das redes, o número de participantes e a utilização dos espaços. A seguir, alguns exemplos em diferentes áreas:

Atletismo

Lançamento de dardo
1. Utilizar dardo oficial como implemento ou um cabo de vassoura;
2. Dividir a pista em quadrantes com pontuação diferente. Quanto mais longe a aterrissagem maior a pontuação;
3. Pode-se jogar em equipe, somando a pontuação para tirar o vencedor.


Esportes aquáticos

Polo aquático
1. Dividir a piscina em áreas de jogo com raias;
2. Jogar com mais de sete pessoas;
3. A bola pode ser de borracha, plástico ou a utilizada no biribol;
4. A bola deve passar por todos os jogadores, antes de ser arremessada ao gol;
5. O participante pode dar até três passos com a bola na mão, caso não saiba nadar;
6. Nos locais com pouca profundidade, onde é possível tocar no fundo da piscina, não permitir o deslocamento com posse da bola;
7. Variar o tempo da partida conforme condições dos participantes.


Esportes de quadra e campo

Basquete
1. Dividir a quadra em áreas para ?evitar o deslocamento;
2. Cada jogador ocupa uma área e a bola deve ser passada por todos antes de ser arremessada;
3. Adaptar a pontuação, incluindo pontos para quando se acertar o aro e/ou a tabela.


Futsal
1. Dividir a quadra em áreas ou quadrantes, mantendo uma área de gol para cada equipe;
2. Não é permitido invadir a área adversária;
3. Jogar sem goleiro;
4. Modificar as dimensões das traves;
5. Em vez do gol, colocar um ou mais alvos para serem derrubados.

Vôlei
1. Aumentar o número de toques: no máximo cinco e no mínimo três;
2. O jogador pode agarrar a bola e jogar, ao invés de rebater;
3. Modificar a altura da rede;

Esportes com raquete

Tênis
1. Aumentar o número de participantes em cada equipe;
2. Utilizar bolas e raquetes de Tênis ou Frescobol;
3. Alterar as dimensões da quadra;
4. A bola poderá quicar duas vezes antes de ser rebatida para a outra quadra.


Modalidades diferenciadas

Quimbol
Esporte genuinamente brasileiro, é jogado na quadra de Voleibol e o objetivo do jogo é que cada equipe passe a bola por cima da rede para a quadra oposta, utilizando uma raquete. 

 

Gateball
Criado a partir do críquete inglês, o objetivo é acertar uma bolinha com um taco fazendo ponto em uma “casinha”, mas como na sinuca e na bocha, também vale acertar a bola do adversário para tirá-la da mira.

 

Keimagol
Utilizando-se dos fundamentos de modalidades conhecidas (voleibol, queimada, handebol) em seu desenvolvimento, o keimagol oferece a opção de “keimar” os jogadores adversários e/ou fazer o gol.


Ramerbol
O objetivo principal é acertar a bolinha com o martelo, empurrando-a para os cinco “boxes” (buracos) distribuídos pela quadra e ao mesmo tempo, impedir que os demais jogadores consigam fazê-lo.

Shuffleboard
O objetivo do jogo é acertar o disco, impulsionado por um taco, em uma área demarcada no chão, com a pontuação. Ao final de dezesseis rodadas, vence aquele que acumular o maior número de pontos.


Sinucabol
Criado no próprio Sesc, o objetivo do jogo é chutar sua bola em direção da bola da equipe adversária, na finalidade de fazer com que esta última entre em um dos gols da quadra. Ganha aquele que colocar todas as bolas adversárias nos gols. Pode ser jogado individualmente ou em duplas.



Fonte: Esporte para Idosos: Uma Abordagem Inclusiva (Edições Sesc, 2010)

 

Pesquisa consolidada
 

Publicação a ser lançada pelo Sesc São Paulo aborda a importância do esporte na terceira idade e traz variações de 25 modalidades, voltadas para esse público


Imagens que compõem o livro Esporte para Idosos: Uma Abordagem Inclusiva,
que será lançado nos próximos meses



Atento ao fato de que as atividades físico-esportivas são fundamentais para a manutenção da saúde e para a melhoria da qualidade de vida em qualquer idade, o Sesc São Paulo, desde seu surgimento, cria projetos, programas e campanhas que têm como objetivo introduzir e ampliar tais práticas para todo tipo de público.

No caso da terceira idade, a instituição avança ainda mais nesse trabalho e lança uma publicação que organiza o conteúdo gerado em décadas de trabalho. O livro Esporte para Idosos: Uma Abordagem Inclusiva (Edições Sesc, 2010) é resultado de uma pesquisa realizada, em 2004, por um grupo de estudos formado por técnicos do Sesc, e reúne informações sobre 25 modalidades esportivas, propondo variações em regras, utilização dos espaços e implementos, a fim de torná-las possíveis para a prática de idosos.

“De forma que torne mais acessível seu aprendizado, considerando as características desse público e as suas limitações”, explica Maria Aparecida Ceciliano de Sousa, da unidade São José dos Campos e organizadora do volume.


A obra, que divide as práticas entre atletismo, esportes aquáticos, esportes de quadra e campo, esportes de salão, esporte com raquete e modalidades diferenciadas, também aborda aspectos do envelhecimento e traz reflexões acerca dos benefícios das atividades físicas na terceira idade. A autoria é coletiva. O grupo de pesquisadores, formado por Daniel da Silva Leite, Henrique Barcelos Ferreira, Jaime Cavalcante, José Olympio Garcia Neto, Maria Ivani Gama, Paulo Castilho Gonçalves e Simone Cilli, também assina os textos.


“O livro é fruto de um processo que envolveu todo o corpo técnico do Sesc e também os idosos”, ressalta Maria Aparecida. “Uma vez que outros professores [de educação física do Sesc] também contribuíram com sugestões, nas muitas reuniões que foram feitas ou mesmo nas unidades, durante as vivências dessas modalidades com o público.” Já a participação dos idosos se dava a cada aula e curso, ao externarem suas opiniões sobre as variações sugeridas.


Maria Aparecida afirma também que a publicação se destina aos mais variados perfis de público. “O objetivo principal é levar informação para profissionais de várias áreas que desenvolvem programas para idosos”, esclarece. “Porque, independentemente do foco no esporte, esse livro trata de como a atividade física pode se desenvolver dentro do processo de envelhecimento.” O que não significa que o leitor comum, interessado nos temas ali tratados, não encontre também uma fonte de informações.


“Inclusive porque existem, nos grupos de terceira idade, lideranças que são os próprios idosos”, revela a técnica. “E esses grupos podem se pautar por essas sugestões para desenvolver uma prática.” O lançamento de Esporte para Idosos: Uma Abordagem Inclusiva está previsto ainda para este primeiro semestre. ::



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