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Música

Postado em 02/03/2010

Todos os sons
Projeto Instrumental Sesc Brasil completa vinte anos como polo difusor de músicos consagrados e jovens talentos


Desde 2006, o prédio do Sesc São Paulo situado no número 119 da Avenida Paulista, que abrigava a administração central da instituição, passou a funcionar como uma unidade provisória. O que equivale a dizer que, desde então, a cidade começou a contar com mais um núcleo de cultura e lazer. Local que será potencializado em sua capacidade de atendimento após uma grande reforma (veja boxe de Endereço novo). No entanto, mesmo antes disso, o endereço já oferecia dois bons motivos para ser visitado pelos apreciadores das artes: uma galeria, localizada no térreo, e os shows de um projeto de música, realizado no auditório do edifício, e que fez história.

banda mantiqueira
Banda Mantiqueira no auditório do Sesc Avenida Paulista

Era março de 1990 e, no dia três daquele mês, o Sesc São Paulo deu início ao Instrumental Sesc Paulista, que surgiu como um novo espaço para o gênero. Hoje, vinte anos depois, e com o nome de Instrumental Sesc Brasil – desde que, em 1999, os shows passaram a ser transmitidos pela TV e pela internet para um público fora do estado (veja boxe Na TV e na web) e também quando se ampliou a possibilidade da vinda de músicos de outras regiões do país –, a iniciativa é considerada uma verdadeira usina difusora tanto de novos nomes quanto de figuras consagradas.

O hoje professor de cultura brasileira da Faculdade Cásper Líbero Maximino Boschi foi coordenador do projeto nos oito primeiros anos de existência e conta um pouco do contexto da época. “Por volta de 1989, época em que eu trabalhava no Sesc, a Avenida Paulista começou a assumir outro caráter, ela passou a ser vista como uma espécie de novo centro da cidade”, lembra. “Percebeu-se que ali estavam surgindo alguns investimentos na área cultural, como, por exemplo, a reforma da Casa das Rosas.” Segundo Boschi, esse foi um dos motivos pelos quais uma equipe de técnicos do Sesc começou a pensar numa forma de utilizar o auditório do prédio da Paulista, numa tentativa de estimular o movimento que surgia na região. “Quando foram me procurar, porque sabiam que eu era ligado em música etc., propus então que fosse um projeto nessa área, e mais especificamente no gênero instrumental.”

A proposta foi levada até o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, e, conforme lembra Boschi, a aprovação foi imediata. “O professor Danilo é ligadíssimo em música”, conta. Por fim, ficou acertado que a nova atividade atenderia a diversos estilos de música instrumental. “MPB, jazz, também música clássica, grupos eruditos etc.”, lista. “Entendemos que a contribuição do Sesc São Paulo com o Instrumental, na época de seu início, aconteceu em diversas frentes. Se os músicos e grupos ganharam um espaço numa região nobre para suas apresentações, o público ganhou um horário de música de qualidade numa localização de fácil acesso e com entrada gratuita”, analisa Danilo Miranda. “Essa conjunção promoveu o sucesso do projeto e movimentou aquele quarteirão da avenida com um público que permanece fiel até hoje.”

Com a decisão tomada, a equipe passou a sondar a cena paulista do gênero na época. “Comecei a entrar em contato com pessoas que eu já conhecia, com os integrantes do Zimbo Trio, com o compositor e pianista Laércio de Freitas, e alguns músicos que tocavam no Sesc Pompeia e no Sesc Consolação, onde já tinha sido realizado o Sescafé, também de música, no início dos anos de 1980”, continua Boschi. “Todo mundo se entusiasmou.” Dessa forma, logo no início, o Instrumental revelou seu caráter ambivalente, ou seja, por um lado, passou a oferecer mais um espaço aos músicos e, por outro, iniciou um processo de formação de plateia. “Pela frequência da região, imaginávamos que haveria um bom público para os shows”, complementa. “Eu já conhecia pequenos e fiéis grupos de apreciadores e sabia que eles eram multiplicadores.” De fato, o auditório, que inicialmente tinha espaço para 170 pessoas, em 1995 foi ampliado para receber 230 pessoas, e a lotação continuou garantida.

Formação de público

Marta Colabone, hoje responsável pela Gerência de Estudos e Desenvolvimento (Gedes) do Sesc, coordenou o projeto de 1998 a 2000 e credita o sucesso à permanência da iniciativa. “Manter-se fiel à música instrumental por tanto tempo, apresentando o que há de melhor e de maneira criativa é um presente para quem programa, para quem toca e, claro, para quem ouve.”

Entre os passos que o projeto deu durante o período em que o coordenou, Marta menciona alguns avanços na organização. “Ter o ingresso, mesmo sendo gratuito no caso do Instrumental, ter um folheto que mostrasse quem era o músico – o que já acontecia, mas esse material passou também a incluir, por exemplo, o repertório, até para ir criando nas pessoas essa referência a respeito de quem é a música, de quem a está tocando, de quem é brasileiro, quem não é”, detalha. Ou seja, uma preocupação com a formação de público, fazendo também com que o músico sistematizasse as informações dele.

Além disso, conforme lembra Marta, sempre se manteve no horizonte o objetivo de garantir que o projeto oferecesse um

Yamandú Costa
Yamandú Costa: violão solo no
Instrumental SESC Brasil

ambiente propício à criação artística e ao contato entre o artista e o público. “O trabalho sempre foi no sentido de que o Instrumental fosse um lugar agradável, onde as pessoas se sentissem muito bem, e onde também houvesse a oportunidade do improviso, do risco – ou seja, possibilitar a reunião de pessoas que nunca tinham tocado juntas, mas que ensaiavam e tentavam fazer alguma coisa nova –, assim como lançar novos nomes, manter os já consagrados, possibilitar formações com grupos maiores de músicos. Um espaço muito mais de descobertas do que de mudanças”, define.

Aos vinte anos, o projeto soma mais de 700 shows, com um público de 160 mil pessoas in loco. Entre os músicos que já pisaram no palco do Instrumental estão alguns mestres do gênero, como Baden Powell, Banda Mantiqueira – cujo show de 1999 foi o primeiro a ser transmitido pelo SescTV –, Hermeto Pascoal, Paulo Moura e Yamandu Costa, entre muitos outros.

Na TV e na web

Shows também podem ser vistos no SescTV e na internet

Uma das mudanças mais importantes na trajetória do Instrumental foi quando, em 3 de agosto de 1999, ele passou a ser transmitido pelo SescTV, momento que significou também a ampliação da programação com artistas e grupos de outros estados. “Dessa forma, foi estabelecido um diálogo com o público presencial e também com o público potencial que passou a assistir ao Instrumental pela TV”, comenta Marta Colabone, que coordenou o projeto de 1998 a 2000.

Os que sintonizam o canal podem assistir a uma versão editada dos shows, preparada especialmente para o veículo, todas as segundas, às 22h. “Os shows passam por um processo de mixagem, em que são agregadas entrevistas com os músicos”, informa Regina Gambini, gerente adjunta do SescTV. O Instrumental tem uma grade permanente no canal. Além das edições inéditas, o telespectador pode ver reprises e programas anteriores (veja os horários no Serviço). “Isso é interessante porque nós continuamos a exibir os programas de acervo”, comenta Regina. “Além disso, na web (http://instrumentalsescbrasil.org.br), foram agregados alguns recursos próprios da internet”, informa a gerente adjunta. “Como, por exemplo, um videochat do músico depois do show, com os internautas, conduzido pela jornalista e apresentadora do programa, Patrícia Palumbo.”



Serviço
O SescTV pode ser sintonizado, em todo estado, pelo canal 3 da TV via satélite Sky e, na capital, pelo canal 137 da TV a cabo NET Digital. Ou acompanhe pelo site (http://instrumentalsescbrasil.org.br).

Reprise dos inéditos:
Terças – 2h, 11h e 16h • Quartas – 10h • Sextas – 23h • Sábados – 3h e 17h • Domingos - 1h, 14h e 21h 
Programas do acervo:
Terças, Quartas e Quinta – 3h, 17h e 23h • Sextas – 3h e 17h



De endereço novo

Instrumental Sesc Brasil passa a ser realizado na unidade Consolação

O compromisso com o local e o horário sempre foi uma característica do Instrumental Sesc Brasil – afinal, é assim que se cativa um público. Ao longo de sua trajetória, a única mudança nesse sentido foi quando, em 2006, a então sede do Sesc passou a funcionar como uma unidade provisória, o que fez com que o projeto se transferisse das segundas-feiras, às 18h30, para as terças, às 19h – sempre com a retirada de ingressos com uma hora de antecedência. Agora é chegada a hora de mais uma mudança, desta vez de endereço. A partir de abril, o Instrumental Sesc Brasil passa a acontecer na unidade Consolação, no Teatro Sesc Anchieta, às terças, às 19h, e com ingressos podendo ser retirados a partir das 18h. (Informação atualizada: Instrumental SESC Brasil às segundas-feiras, às 19h, ingressos a partir das 18h).

O motivo da mudança é o fechamento da Unidade Provisória Avenida Paulista para uma reforma que irá ampliar sua capacidade de atendimento. Nos próximos três anos, o local passará por uma verdadeira transformação. Além de uma remodelação de espaços já existentes – como os andares para apresentações cênicas, a comedoria e os cafés –, a obra irá criar outras instalações voltadas para o lazer e a arte. Entre elas, um auditório de múltiplo uso com 96 lugares, laboratórios para atividades multimídia e uma área especialmente concebida para exposições de arte e mostras temáticas. “A implantação de um centro de atividades culturais e de lazer na Avenida Paulista, já se sabia, seria muito importante para a região e para o público de trabalhadores lá localizados”, afirma o diretor regional do Sesc São Paulo Danilo Santos de Miranda. “Essa adequação foi comprovada com o sucesso demonstrado pela frequência e aceitação do público nas instalações provisórias. Dessa forma, reformar e colocar à disposição da comunidade e clientela prioritária um equipamento apropriado ao desenvolvimento cultural e educativo naquele local de forma permanente é um orgulho e, essencialmente, parte da missão da entidade.”

A nova unidade contará também com uma área de convivência, parte coberta e parte ao ar livre, com um teatro com 205 lugares e com duas salas de ginástica.

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