Postado em 01/12/2005
Eclético. O adjetivo se aplica perfeitamente a Mário de Andrade (1893–1945). Mais conhecido pela verve de escritor, Mário cravou para sempre suas marcas na literatura com a publicação de Macunaíma – O Herói sem Nenhum Caráter, em 1928, tido como o mais importante livro do modernismo brasileiro. “Essa obra é considerada o apogeu do modernismo. Para escrevê-lo, ele partiu da concepção de que o Brasil é uma unidade e, para isso, ‘desregionalizou’ o país. Mostrou isso principalmente por meio de manifestações populares, que acontecem de forma quase igual, por todos os cantos do Brasil”, explica Audálio Dantas, um dos curadores da exposição Na Terra de Macunaíma (veja boxe Faces de um artista), em cartaz no Sesc Santo André até 18 de dezembro. Mário foi autor também de outros importantes títulos, como Paulicéia Desvairada (1922) e Amar, Verbo Intransitivo (1927). O que pouca gente sabe é que suas paixões também se estendiam pelos campos da música, da cultura popular e da fotografia. E, se pelas letras ele se consagrou, foi pela música, como professor do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, que garantiu seu ganha-pão por quase toda a vida.
Os 60 anos da morte de Mário de Andrade estão sendo lembrados de forma inusitada em duas unidades do Sesc São Paulo. Em Santo André, a inspiração veio da mais conhecida obra do autor, o livro Macunaíma – O Herói sem Nenhum Caráter. Na exposição Na Terra de Macunaíma, que teve a curadoria de Audálio Dantas e Fernando Granato e segue em cartaz até 18 de dezembro, a intenção é mostrar como e em que contexto foi escrita a obra que acabou se tornando marco do modernismo brasileiro. “Pensamos em centrar o evento na gestação do livro, que foi escrito em apenas seis dias em Araraquara, na Chácara Sapucaia, que pertencia a seu tio Pio Lourenço Correa”, explica Dantas. Para isso, o projeto conta com uma grande exposição numa área de 1.100 metros quadrados que reproduz o ambiente da propriedade, e oferece ainda diversas outras atividades, como oficinas, palestras, shows e performances.
Estava lá e não sabia
desenhada há sete décadas estava exposta para o público. Era o singelo desenho de uma montanha iluminada por dois sóis, que fez quando freqüentava o Parque Infantil da Lapa junto com seus irmãos. Ela só reencontrou a obra porque um vizinho de bairro lhe avisou. Desde então, até no jornal de maior audiência da TV ela já apareceu. “Eu nem lembrava que desenhava já naquela época. Lembro-me de nadar e fazer ginástica, mas não de desenhar.” Dona Norma morou a vida inteira na Lapa e, depois de muitos anos trabalhando no comércio, hoje dedica boa parte de seu tempo justamente ao desenho. “Adoro pintar e desenhar em tela, cerâmica, pano de prato. A verdade é que gosto de pintar tudo”, diz, bem-humorada.