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Férias
Atividades de lazer para crianças e pais no mês de descanso das aulas

Postado em 01/08/1998

Para muitos pais, as férias de julho representam, em vez de descanso, a chegada do desespero. Ao contrário das férias de janeiro, quando a maioria dos pais, em função das festas de fim de ano, saem de férias para aproveitar a estação mais quente, durante o mês de julho a maioria fica impossibilitada de tirar alguns dias para o lazer. Surge, então, o dilema: o que fazer com o tempo livre das crianças?

Visando desenvolver atividades que incentivem o lazer infanto-juvenil, o Sesc programou para o mês de julho atividades que privilegiam a função educativa durante o tempo livre. "Ignora-se a função educativa do lazer infantil que, na maioria das vezes, é considerada atividade inconseqüente e atribuída à responsabilidade exclusivamente escolar. Visando proporcionar à criança uma maior percepção do mundo que a rodeia, as atividades educativas promovem uma relação mais equilibrada e saudável com a realidade", explica José de Paula Barbosa, gerente do Sesc Paraíso.

Divertindo e educando, a programação do mês de férias contou com a realização das atividades turísticas organizadas pelo Sesc Paraíso e com a exposição Mitos que Vêm da Mata, realizada na unidade Pompéia, além de programações especiais desenvolvidas em outras unidades. "Este evento dá continuidade à proposta do Sesc Pompéia de realizar exposições temáticas durante as férias escolares. Aqui, os seres folclóricos, que geralmente são tratados de uma forma didática e formal, serão apresentados ao público de uma forma mais lúdica e participativa", afirma Maria Ângela Barella, assistente de programação do Sesc Pompéia.

O Sesc Paraíso realiza desde 1996 o projeto FériaSesc. Voltado para o público infanto-juvenil, inicialmente as atividades eram realizadas de maneira esporádica, como os passeios de um dia a unidades do Sesc. Para diversificar a programação e promover uma convivência social mais intensa entre as crianças, a unidade do Paraíso organizou uma nova versão do FériaSesc. Evoluiu-se, depois, para um programa com viagens mais prolongadas, incluindo hospedagem e a exploração dos conceitos de educação informal, por meio de atividades de animação recreativa.

A primeira edição de inverno do FériaSesc aconteceu em julho de 1997 na unidade Bertioga. Reunindo 120 crianças, os técnicos e monitores do Sesc tomaram o rumo do litoral paulista. Longe de casa, empreenderam toda sua energia brincando, nadando, correndo, criando, jogando e aprendendo a se relacionar em um espaço comum a todos.

No segundo ano de realização da edição de inverno, a unidade Bertioga ampliou o seu atendimento de 120 crianças do primeiro ano para 600, além disso, a edição de inverno deste ano contou com a participação de outras unidades do Estado de São Paulo.

Inverno na praia

Na manhã do dia 2 de julho, o Sesc Paraíso estava com ares diferentes. De lá partiram seis ônibus lotados com crianças de 8 a 12 anos, ávidas por diversão. Durante cinco dias, a unidade de Bertioga esteve exclusiva para elas e para os técnicos e monitores que mantinham a ordem na casa quando alguma coisa extravasava às travessuras normais.

Entre a praia e a piscina, muitas atividades foram realizadas como shows de música, performances circences dos grupos Circo&CIA e acrobático Fratelli, realizadas dentro de um circo instalado na própria unidade, apresentações de teatro, sessões de vídeo, planetário, show de mágica, trilhas, escaladas na parede de alpinismo, turismo ambiental, festas temáticas, aulas de dança, capoeira, cinema, trampolim acrobático e outras atividades improvisadas pelos organizadores. Quando o tempo não ajudava, monitores e crianças trocaram as mais diversas experiências. "Muitas crianças já são nossas conhecidas. Percebemos já no ônibus a personalidade de cada uma. Sempre voltamos com histórias engraçadas para lembrar", confessa Marco Scaranci, coordenador do Sesc Paraíso.

Com um monitor para cada grupo de oito, a molecada brincava com segurança por todo o espaço que dispunham. Instalada numa área verde de cem mil metros quadrados e equipada com piscinas e brinquedos, as crianças começavam o dia bem cedo. Às sete e meia da matina, eram despertadas para o café, e, alguns minutos mais tarde, sem perda de tempo, partiam para as brincadeiras. Se o tempo ajudava, iam à praia e por lá faziam ginástica, nadavam e armavam algum jogo na areia. Das atividades aquáticas, a canoagem foi a que causou mais furor. "Era duro conseguir tirar as crianças dos botes. Às sete horas da noite elas ainda estavam lá", diz o coordenador do evento, Marco Scaranci. Além da canoagem, as crianças se empolgaram com a capoeira. Todas as noites faziam apresentações do que aprendiam nas aulas durante o dia, e a área de convivência se transformava num espetáculo. Com tanta atividade, outro adversário, além do mau tempo, aparecia: a fome. Mas é claro que ela não atrapalhava. Munidas de imensa "vontade de comer", as crianças faziam das refeições um dos momentos mais divertidos do dia.

Nem bem chegava meio-dia, os monitores começavam a juntar seus grupos e disparavam em carreira desabalada rumo ao refeitório. Meia hora depois, o até então tranquilo refeitório do Sesc Bertioga lembrava hora de recreio escolar.

Sentadas todas juntas, Karina Bianco, Priscila Bosquini e Carolina Melo de Castro, todas de onze anos, estavam entretidas num bate-papo sobre os acontecimentos do dia anterior. "É a primeira vez que viemos. Nos conhecemos no ônibus e algumas outras meninas conhecemos aqui mesmo", explicaram elas. "A atividade que mais gostamos até agora foi a dança na praia. Estamos ansiosas pela escalada na parede. Só estamos esperando o almoço acabar para irmos escalar." Sentadas numa mesa próxima e com a cara pintada à espera do jogo do Brasil contra Dinamarca, as amigas Jaiane Chiva e Érica Constantin faziam parte do grupo do Projeto Curumim de São Carlos. "É a primeira vez que venho. Estou achando as atividades muito interessantes. Se o Curumim vier no próximo ano, eu venho junto", diz Jaiane.

Mesmo depois de um dia inteiro de atividades, as crianças não se rendiam ao cansaço e fechavam a noite com uma festa temática. Na primeira noite, o tema foi os Anos 60. Na soirée seguinte, as bruxas foram as escolhidas. No último dia, a festa de despedida foi animada pela banda Discover.

Depois de tirar férias de casa, fazer novas amizades e se ocupar somente de brincadeiras, a hora de voltar é sofrida. A saudade dos cinco dias de brincadeira não é exclusiva das crianças. Técnicos e monitores também são seduzidos pelo mundo infantil. "Durante cinco dias viramos um pouco pai, mãe, irmão, amigo. Passamos a conhecer cada criança de um modo muito próximo", diz a técnica do Sesc Paraíso, Raquel Fluminhan.

No interior do mundo infantil

Não foi só na praia que as crianças se divertiram em julho. Além do Sesc Bertioga, a área de convivência do Sesc Pompéia foi invadida por personagens do folclore brasileiro. Durante o período de 15 de julho a 24 de agosto, Saci-Pererê, Curupira, Bicho-Papão, Boitatá, Iara e a Cuca estarão morando por lá. Também privilegiando o lazer infantil, a unidade organizou a exposição temática Mitos que Vêm da Mata. "Da mata surgem as figuras fantásticas que provocam sensações e deslumbres estimulando nas crianças o exercício da criatividade", explica a coordenação do projeto. "A idéia é colocar a criança urbana em contato com os mitos brasileiros presentes no meio rural."

Responsável pelo cenário lúdico, o cenógrafo Renato Theobaldo procurou a melhor maneira de integrar as crianças na exposição, explorando sua percepção visual, táctil e auditiva. Com instalações que estimulam a interatividade com os personagens, as crianças podem tocar, sentir e brincar nas grandes estruturas de ferro, cobertas por espuma e borracha que formam os bichos e seu mundo. Recursos interativos, como computadores, iluminação, espelhos e ventiladores revelam as características de cada personagem. Desse modo, a curiosidade infantil é aguçada e as crianças despertam interesse pela história de cada ser folclórico. "As pessoas têm uma expectativa muito grande para ver como funcionam esses brinquedos", diz o cenógrafo.

O caminho para a aventura começa com o Curupira. Ao entrar na exposição, os visitantes passam por debaixo de suas pernas e ele lhes deseja boas-vindas. Depois do Labirinto do Curupira e do Incêndio da Mata, os visitantes chegam ao Caminho da Mata. Nessa instalação, são transmitidas todas as características dos personagens da exposição através de um jogo de projeção por computador e efeitos sonoros. Continuando o Caminho da Mata, encontra-se o Redemoinho do Saci, que estará aprontando alguma peripécia dentro da instalação. Seguindo mato adentro, as crianças podem ainda brincar nos cabelos da sedutora mãe dágua, Iara, e correr do Boitatá e da Mula-sem-Cabeça.

Além da exposição, o Sesc Pompéia realizou uma intensa programação integrada à instalação. Por meio de atividades complementares como oficinas temáticas, oficinas, projeção de imagens, espetáculos teatrais com bonecos, contadores de história e ilusionistas, adultos e crianças têm a oportunidade de conhecer a cultura do Brasil de um modo divertido.


Quem são os mitos que vieram da mata?

Curupira
Este ser encantado tem o corpo de curumim, os cabelos ruivos e os pés voltados para trás. Sua aparência pode até ser assustadora, mas o seu trabalho não tem nada de feio. O Curupira protege as matas e seus bichos. Reza a lenda que quem corta ou queima as matas, caça filhotes indefesos ou mata fêmeas no cio, é duramente punido por este guardião da floresta.

Saci
Alguns dizem que o Saci é parente ou até mesmo filho do Curupira. Pulando pelas matas com uma perna só e com seu capuz vermelho, vive pregando peças nos outros. Adora fumar cachimbo e soltar fumaça pelos olhos, esconder objetos de estimação, estragar massa de pão e gorar os ovos da galinha. Porém, se estiver de bom humor, pode até ajudar as pessoas a encontrarem objetos perdidos.

Boitatá
O Boitatá é uma cobra que aparece brilhando no escuro das matas. Ataca homens e animais e devora somente seus olhos. Com a pança cheia do brilho de tantos olhos, acaba ficando luminosa. Para escapar desse perigoso bicho das matas é preciso ficar parado, de olhos fechados e sem respirar. Assim ele passa reto a procura de outra vítima.

Mula-sem-Cabeça
Este monstrengo sai nas noites de quinta para sexta percorrendo sete cidades. Ao desbravar seu caminho, solta fumaça pelo nariz e relinchos ensurdecedores. Quem cruza seu caminho é atacado com coices e dentadas. Quando o dia raia e os galos começam a cantar, a mula se transforma em mulher e vai para casa.

Giro pelas férias

Além das programações promovidas no Sesc Pompéia e na colônia de férias de Bertioga, outras unidades do Estado realizaram atividades para aproveitar o tempo livre das crianças durante o mês de julho. Em Santos, as férias também foram agitadas. Durante a programação, as crianças puderam assistir filmes infantis como O Menino Maluquinho, Voando para Casa e alguns desenhos da Disney. As atividades práticas ficaram por conta das oficinas de teatro, vídeo, mamulengos, fábulas e velas e dos passeios de um dia para lugares recreativos como o simba sáfari e o zoológico. Para não deixar os pais de fora das férias, aos sábados as crianças transformavam-se em cozinheiras e com a ajuda de uma professora e mais três monitores preparavam o almoço para a família.

O Sesc Interlagos conta com brinquedos como o "jacaré", onde as crianças escorregaram pelos 40 metros da instalação, a casa da árvore, que fica no topo de uma árvore , e a cidade das formigas, onde as crianças ficaram a par do funcionamento de um formigueiro.

Instalado numa privilegiada área verde, o Sesc Itaquera preparou para a criançada o Projeto Superférias. As crianças puderam divertir-se no trampolim acrobático. Coordenadas por monitores, a molecada aprendeu alguns movimentos de acrobacia. Além dessas atividades, o divertimento também ficou por conta das oficinas recreativas, dos espetáculos teatrais e dos parques lúdicos, onde dois grandes playgrounds com brinquedos gigantes fazem a alegria da garotada.

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