Postado em 01/07/2002
Falange Canibal
Lenine
realizou, durante a primeira quinzena de junho, o pré-lançamento
de seu mais novo trabalho, Falange Canibal, em seis unidades do Sesc São
Paulo: Santo André, Santos, Araraquara, Piracicaba, São Carlos
e Taubaté. Além das apresentações, a programação
incluiu oficinas sobre o processo de criação em canção,
com participação de Lenine, coordenadas por seu parceiro, o letrista
Carlos Rennó. O disco, que terá seu lançamento oficial
em São Paulo no Sesc Vila Mariana, em agosto, é o terceiro trabalho
solo de Lenine, que antes havia gravado Baque Solto (1982), em parceria com
Lula Queiroga, e, onze anos mais tarde, ao lado do percussionista Marcos Suzano,
Olho de Peixe - um dos marcos da nova safra da música popular brasileira.
"Eu canibalizo tudo que estiver à distância
da mordida: instrumentos, pessoas, tendências estéticas, tudo.
Sofro de um apetite atroz" Lenine
Além da Copa
Enquanto
as atenções de todo o país estiveram voltadas para a Copa
do Mundo e para a habilidade dos profissionais envolvidos nesse grande evento,
o Sesc São Caetano aproveitou a ocasião para, através do
projeto Menino Bom de Bola, deslocar o olhar do público para outras características
do futebol: como ferramenta de inclusão social e como fonte inspiradora
das manifestações artísticas. Na programação,
além da transmissão de jogos ao vivo em telão, palestras
com o professor da USP Moacir Gadotti; mesas-redondas com a participação
do músico Tom Zé, do diretor de cinema Ugo Giorgetti e dos ex-jogadores
Afonsinho e Wladimir, e uma exposição fotográfica com fotos
de Tiago Santana, Antônio Gaudério, Walter Firmo, entre outros,
enfocando a paixão de crianças e adolescentes pelo esporte nos
mais remotos cantos do país.
Condecoração
de mérito
No
Sesc Pompéia, o Presidente do Conselho Regional do Sesc São Paulo,
Abram Szajman (na foto, à direita), e o Diretor Regional do Sesc São
Paulo, Danilo Santos de Miranda, receberam do Embaixador da República
da Polônia, Jacek Hinz, e do Cônsul Geral em São Paulo, Andrzej
Lisowski, condecorações de mérito pela contribuição
às relações entre Polônia e Brasil. Em abril, em
várias unidades do Sesc, aconteceu o Festival da Cultura Polonesa, incluindo
diversas manifestações artísticas (leia o depoimento da
curadora da mostra, Anda Rottenberg, à página 32 desta edição).
Amor segundo a filosofia
O
Sesc Carmo promoveu, em junho, a primeira edição do projeto Trocando
em Miúdos - A Filosofia no Dia-a-dia, que pretende colocar em discussão,
através de um olhar diferenciado, temas universais do cotidiano, como
a violência e a solidão. O primeiro convidado da série de
palestras foi o filósofo Renato Janine Ribeiro, professor de ética
e filosofia da USP, que falou sobre como as pessoas se apaixonam e quais são
os artifícios da sedução. "Quando falamos em amor,
em nosso tempo, tendemos a pensar mais no amor sexuado do que nas formas de
amor mais generosas, como entre pais e filhos, ou mesmo entre amigos. Mas talvez
o amor mais autêntico seja mesmo o que é mais generoso", afirma
o professor.
"A paixão, etimologicamente, é pathos,
algo que a alma sofre, a dimensão em que a psique é passiva. Isso
quer dizer que no amor-paixão somos tomados, possuídos, conquistados
por um sentimento sobre o qual não temos nenhum controle - a paixão
se opõe, filosoficamente, à ação" Renato
Janine Ribeiro
Os Mulheres Negras
Letras irreverentes, performances inusitadas e fusão de ritmos eram as
principais marcas de Os Mulheres Negras, banda criada por André Abujamra
e Maurício Pereira em meados da década de 1980. Em 1991, a banda
se desfez deixando um público não muito amplo, porém fiel.
Maurício iniciou carreira solo e André fundou o Karnak. Em junho,
no Sesc Pompéia, os dois integrantes do conjunto, autodenominado "a
menor big band do mundo", voltaram a se reunir para comemorar o relançamento
em CD de seus dois únicos discos: Música e Ciência, de 1988,
e Música Serve Para Isso, de 1990. Os álbuns foram remasterizados
pelo selo Arquivo Warner, sob o comando do baterista Charles Gavin, e já
podem ser encontrados nas lojas. No espetáculo, músicas antigas
como Sub e John e canções inéditas da dupla.
Origami
No
mês da Copa, o Sesc São Paulo, o Consulado Geral do Japão
em São Paulo e a Aliança Cultural Brasil-Japão promoveram
uma original ligação entre o futebol e o tradicional origami japonês.
Já no século VI essa arte era praticada no país asiático,
integrando rituais sagrados e religiosos. A partir do século XVII, no
entanto, ela adquiriu um caráter lúdico e estético e espalhou-se
pelo mundo. Em junho, no Sesc Vila Mariana, os visitantes puderam conferir trabalhos
produzidos por artistas de doze países retratando o universo do futebol.
Além disso, foram promovidas oficinas de origami e apresentações
de vídeos sobre as regiões que abrigaram os jogos da Copa no Japão
e suas manifestações culturais.
Prêmio Criança
A Fundação Abrinq promoveu em junho a cerimônia de entrega
do Prêmio Criança 2002, no Sesc Vila Mariana. Essa é a décima
segunda edição do evento, criado com o objetivo de identificar
personalidades e instituições da sociedade civil que se destacaram
na implementação de ações voltadas à melhoria
da qualidade de vida das crianças e dos adolescentes no país.
Desde 1989, já foram premiadas 48 iniciativas na área. A partir
deste ano, o Prêmio passa a acontecer bienalmente, enfocando temas específicos.
Nesta edição, foram selecionados programas, ações
e projetos dedicados às crianças de zero a seis anos, divididos
em quatro categorias: saúde do bebê e da gestante; convivência
familiar e comunitária; violência doméstica, e educação
infantil.
Música Latina
Apresentar a riqueza musical criada nas regiões centro e sul do continente
americano foi o objetivo do projeto A Música Latino-Americana por seus
Ritmos e Instrumentos, realizado em junho no Sesc Pinheiros. Músicos
e estudiosos no tema foram convidados a promover uma viagem através de
uma variada gama de instrumentos, estilos e gêneros musicais ainda pouco
conhecidos do público brasileiro. Willy Verdager apresentou os ritmos
andinos, como a zamba, a chacarera e a cueca; a música tradicional do
Caribe e da Colômbia ficaram à cargo de Pedro La Colina; a afro-cubana
foi apresentada por Edwin Pitre e a fusão de ritmos latinos com rock,
jazz, pop e outros gêneros musicais couberam a Enio Di Bonito.
Peter Brook
Uma
ação conjunta entre o Sesc São Paulo e o Instituto Municipal
de Arte e Cultura (RioArte), do Rio de Janeiro, trouxe pela primeira vez ao
Brasil a montagem de A Tragédia de Hamlet adaptada e dirigida pelo diretor
inglês Peter Brook. As apresentações aconteceram durante
quatro noites de junho no Sesc Vila Mariana e outras três no Rio de Janeiro.
Para o diretor, considerado um dos mais importantes encenadores do teatro contemporâneo,
Hamlet é uma peça que permite uma redescoberta constante: "São
facetas infinitas, como uma bola de cristal a girar no ar, mostrando a cada
instante uma nova possibilidade", afirma. Além das apresentações,
o Sesc promoveu, no Teatro Sesc Anchieta, um encontro com a diretora assistente
da montagem, Marie-Hélene Estienne, e uma palestra com o ator da companhia
de Peter Brook, Sotigui Kouyaté.
"Peter Brook busca a humanidade das coisas. O
ator é motivado a cuidar de si, de suas angústias. O sujeito é
o que ele quer fazer - é sua liberdade de escolha. É fazer coisas
bonitas não para si, mas para expressar humanidade" Marie-Hélène
Estienne, diretora assistente de A Tragédia de Hamlet, de Peter Brook,
que esteve em cartaz no Sesc Vila Mariana
Teatro francês
Duas
gerações distintas de artistas teatrais franceses participaram,
em junho, da programação da Temporada de Teatro Francês
Contemporâneo, coordenada pelo Consulado Geral da França em São
Paulo em parceria com o Sesc São Paulo. O filósofo, autor e diretor
teatral Michel Deutsch (foto), aos 55 anos, pertence a uma das mais significativas
gerações de profissionais da área. Já a jovem atriz
Bérangère Jannelle, representa a nova safra de artistas franceses.
Ambos ministraram workshops voltados para atores e diretores brasileiros no
Sesc Consolação. Além disso, completaram a programação,
no Sesc Pinheiros, leituras dramáticas de textos de autores franceses
realizadas por profissionais como o ator Marcos Damigo, integrantes do Grupo
Tapa e os diretores Sérgio Ferrara e Eduardo Tolentino. A programação
segue até o final do ano. Confira no Em Cartaz.
Coração
Inquieto
Inspirada
livremente nos livros Vita Brevis, de Jostein Gaarder, e Confissões,
estreou em junho, no Teatro do Sesc Belenzinho, a peça Coração
Inquieto - Memórias de Santo Agostinho. A montagem tem direção
e dramaturgia de Sérgio Módena e traz no elenco os atores Erika
Ribeiro, Gustavo Wabner e Cadu Fávero, entre outros. O espetáculo
aborda a culpa e o pecado como grandes legados da Igreja Católica, através
das lembranças e reflexões registradas nas obras de uma das mais
importantes figuras do catolicismo, Santo Agostinho, quando se encontrava em
sua cela à beira da morte. A peça segue em cartaz, aos sábados
e domingos, até 28 de julho. Confira na programação.
Alô, Alô
Carnaval!
O
projeto Cinema Trinta e Cinco Restaurados, realizado mensalmente pelo Sesc Ipiranga,
apresentou, pela primeira vez em São Paulo, a cópia recém-restaurada
de um dos maiores clássicos do cinema brasileiro: Alô, Alô
Carnaval!, produzido e dirigido por Adhemar Gonzaga em 1936. O filme traz de
volta às grandes telas alguns dos mais importantes ídolos da era
do rádio, como Ataulfo Alves, as irmãs Carmen e Aurora Miranda
e Mário Reis, interpretando inesquecíveis canções
como Pierrô Apaixonado, de Noel Rosa e Heitor dos Prazeres, e Cantores
do Rádio, de João de Barro, Lamartine Babo e Alberto Ribeiro.
Além da projeção, houve também um encontro com Alice
Gonzaga, filha de Adhemar e diretora da Cinédia, produtora do filme,
e uma apresentação musical de Maria Alcina.
"Alô. Alô. Carnaval! é o filme
com som ótico mais antigo integralmente preservado. É também
aquele que evidencia mais claramente os elementos básicos que serviram
para a formação da futura chanchada" Hernani Heffner,
coordenador de pesquisa da restauração de Alô, Alô
Carnaval!
O popular e o erudito
Com curadoria da pianista Marina Brandão, o Sesc Ipiranga apresentou,
em junho, o quarto concerto de Quando o Erudito Encontra o Popular. O projeto
pretende mostrar a versatilidade do músico brasileiro, que, segundo a
curadora, mesmo tendo formação clássica, se adapta perfeitamente
à música popular. "Da minha vivência como pianista
nas duas áreas musicais, sempre achei possível conciliar o popular
com o erudito. Daí a idéia de fazer um projeto em que se pudesse
mostrar como a música clássica pode andar de mãos dadas
com a popular". O concerto de junho contou com a participação
do pianista Paulo Gori, que interpretou valsas de Schubert, Chopin, Lorenzo
Fernandez, Adelaide Pereira da Silva e Nazareth.
Festas Juninas
Já
são tradicionais as comemorações juninas promovidas por
diversas unidades do Sesc São Paulo. Tanto na capital como no interior,
a programação esteve repleta de atividades, apresentações
e muita diversão. Entre as atividades, destacou-se a célebre festa
do Sesc Pompéia. Neste ano, o tema foi o universo dos brincantes, trazendo
para o público paulistano o que há de mais genuíno nas
comemorações do interior do país. De Minas Gerais, vieram
as rezadeiras de Jequitibá; da zona da mata pernambucana, o mestre rabequeiro
Salustiano; do Rio de Janeiro, os cirandeiros de Parati; do interior de São
Paulo, ritmos como o cururu, a catira e o fandango de tamancos. Tudo com uma
ambientação especialmente elaborada para a grande festa que durou
o mês inteiro.
Frases
"As esferas públicas devem contar com o apoio da iniciativa privada para investir na cultura, esclarecê-la quanto ao seu papel fundamental nas sociedades democráticas e também garantir, a partir de políticas culturais mais abrangentes, ações para além do incentivo, que se expandam e fundamentem propostas efetivas e duradouras" Danilo Santos de Miranda, Diretor Regional do Sesc São Paulo, na Urbis 2002
"Nosso trabalho demonstra que ainda é possível que pequenas companhias, com poucos recursos, desenvolvam projetos a longo prazo, fora de todas essas grandes estruturas e dos padrões da televisão" Stephane Brodt, integrante da companhia Amok Teatro, que apresentou, no Sesc Belenzinho, o espetáculo O Carrasco
"Se
o Festival de Rio Preto já é tradicional, é porque alguma
coisa estava dizendo. Se o Sesc entrou, é porque poderá dizer
mais coisas. É isso que eu espero do Festival. Tenho certeza de que por
mais trinta anos vamos tê-lo com grandes lances, com novos atores e novas
experiências de teatro" Antunes Filho, diretor
teatral, sobre o Festival Internacional de Teatro, no Sesc Rio Preto, que acontece
de 17 a 28 de julho